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Consultoria on-line

Prezados Associados SBRH,

Iniciamos a partir deste mês a coluna de “Consultoria Online – Psicologia em Reprodução Humana”. Inicialmente estamos publicando as dúvidas mais frequentes, com suas devidas respostas. Para a formatação desta coluna, iremos receber por email as dúvidas enviadas pelos sócios, relacionadas à prática da psicologia em reprodução humana, que serão respondidas até 48 horas e nos finais de semana, na segunda-feira.

Envie suas dúvidas pelo email do Comitê de Psicologia (psicologia@sbrh.org.br – Assunto: Consultoria Online).

1. A ansiedade das pacientes pode atrapalhar o tratamento, impedindo a gravidez?
Não é possível fazer uma associação direta e simples de causa e efeito entre ansiedade e resultado do tratamento, pois este depende de muitos fatores. É muito difícil se submeter a tratamentos sem ansiedade, mas vale prestar atenção se esta está muito elevada, atrapalhando as atividades do dia a dia. Neste caso, vale procurar uma ajuda para lidar com esta situação, para que o seu sofrimento possa ser aliviado.

2. Quais são as maiores preocupações das pacientes que receberão óvulos de doadora?
As maiores preocupações são referentes à herança genética. Questionam se serão herdadas doenças, vícios e comportamentos da doadora, assim como traços físicos, diferenciando-se das características familiares. Preocupam-se também com o estabelecimento de uma relação amorosa com o filho e se devem contar ou não para ele a respeito de sua origem. Para tanto, é fundamental que estejam informadas sobre todos os aspectos e se preparem emocionalmente para este tratamento. Isso significa poder entrar em contato com o sofrimento por não ser possível ter um filho com a própria genética e gradativamente aceitar receber óvulos de uma doadora.

3. Apesar de estarem informados sobre as chances de sucesso, por que, em geral, os casais não aceitam quando não ocorre a gravidez?
Ao fazer um tratamento, as expectativas se elevam, pois toda a atenção se volta para isto. Quando não ocorre a gravidez, o sofrimento é intenso, equivalente à perda do filho tão desejado. Parece que tudo perde a graça. Com o passar dos dias o sofrimento vai se atenuando. Vale lembrar que o acompanhamento psicológico pode ajudar a lidar com esta situação dolorosa.
Em estudo realizado em 2013, 59% das pacientes superestimaram suas chances de sucesso, sendo que 15% destas reportaram chances de 40% superiores ao informado pelo médico. (JBRA Assist. Reprod. | V. 17 | nº 4 | p.278 | Jul-Aug / 2013).

4. Os fatores emocionais estão presentes nos casos de infertilidade sem causa aparente?
Esta pergunta remete à associação de causa-efeito respondida na primeira questão. As questões emocionais (não como causa, mas como fonte de conflitos e sofrimento) podem estar presentes em todos os casos. Acreditamos que ambivalências frequentemente estão presentes em todas as mulheres, e não necessariamente impedem que a gravidez ocorra.

5. Propus um tratamento para o casal, mas eles estão com muitas dúvidas se farão, ansiosos e a mulher está muito chorosa. Vocês podem ajudá-los na aceitação do tratamento?
O objetivo do trabalho psicológico não é convencê-los a fazer o tratamento, e sim ajudá-los a decidir qual o caminho a ser seguido. O trabalho consiste em oferecer algumas informações relacionadas aos aspectos psicológicos e especialmente ajudá-los a entrar em contato e elaborar os sentimentos, medos e fantasias que estejam presentes. Assim, poderão decidir com maior tranquilidade o que considerarem o melhor para eles.