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Entrevista com a psicóloga argentina Dra Letícia Urdapilleta de Peluffo

Para fechar o nosso primeiro ano de atividades na SBRH, convidamos a psicóloga argentina Letícia Urdapilleta de Peluffo para falar sobre sua experiência em reprodução assistida. A Dra. Letícia é especialista em Psicologia da Infertilidade, Medicina Reprodutiva e Adoção, psicóloga do Centro de Estudios en Genética y Reproducción (CEGyR) desde 1993, diretora do capítulo de aspectos psicossociais da Associação Latino-americana de Medicina Reprodutiva (ALMER) e diretora de cursos de formação em psicologia da infertilidade há vinte anos. A Dra Letícia estará presente no Congresso da SBRH em 2018, como convidada internacional do comitê de psicologia, e é um prazer ter a oportunidade conhecer um pouco mais sua grande experiência na abordagem psicológica aos pacientes inférteis.

– Louise Brown, primeira pessoa no mundo a nascer a partir de uma técnica de reprodução assistida completará em 2018, 40 anos. Do ponto de vista das tecnologias reprodutivas muito se avançou num tempo relativamente curto. Estes avanços inquestionáveis proporcionaram a realização do desejo de parentalidade a milhares de pessoas, contudo trouxeram a necessidade de trabalharmos conceitos como filiação, assim como nos desafiam a pensar sobre os efeitos psíquicos e culturais das mudanças que provocaram. Poderias nos falar sobre o que pensas sobre as revoluções no campo do humano das chamadas novas tecnologias reprodutivas?

– Yo creo que todo ser humano tiene que tener la posibilidad de elegir que quiere para su vida y, hasta hacen pocas décadas atrás, mucha gente que deseaba ser padre/madre y tenía dificultades reproductivas – aún aquellas que hoy nos parecen diagnósticos leves -, no tenían demasiada solución desde lo médico, permanecían sin hijos o adoptaban a un niño. La llegada del FIV, y luego el ICSI, como toda tecnología nueva, tuvo grandes detractores y fue de muy difícil aceptación social en los comienzos, pero le dio oportunidad a la gente infértil a optar que consideraba mejor para sí. Y a pesar de lo estigmatizante que podría suponer, la mayoría de los pacientes la fueron eligiendo y naturalizando, como es hoy en día. Aquellos en desacuerdo con los avances de la medicina reproductiva no están obligados a su utilización.
En esa época atendíamos a pacientes/parejas con condiciones médicas. Luego los usuarios de las técnicas se fueron extendiendo a personas con problemas de tipo social (mujeres y hombres sin parejas, parejas homosexuales, personas fuera de edad reproductiva natural, mujeres intentando prevenir la declinación de su fertilidad, gente que quiere seleccionar el sexo de su futuro hijo, mujeres que no pueden o no quieren gestar ellas mismas, etc.). Muchos de estos tratamientos generan, en diversas partes de la sociedad, críticas importantes a los nuevos formatos familiares y complejizan emocionalmente, aún más, su elección.

El uso de la tecnología disponible, debe hacerse con mucha responsabilidad, sin minimizar lo complejo de las muchas implicancias que acarrean. El creer que cualquiera, en cualquier momento, y de cualquier forma puede tener un hijo, es no entender que ser padre es mucho más que lograr tener un “cuerpito” en casa. Entiendo que es imprescindible que se consideren no sólo las necesidades y deseos de los consultantes, sino además y concienzudamente, el bienestar y futuro del niño por nacer.

(Eu acredito que todo ser humano deve ter a possibilidade de escolher o que quer para sua vida e, até algumas décadas atrás, muitas pessoas que queriam ser pai/mãe e tinham dificuldades reprodutivas – mesmo aqueles que hoje parecem diagnósticos leves – não tinham muita solução do ponto de vista médico, permaneciam sem filhos ou adotavam uma criança. A chegada da FIV, e logo depois da ICSI, como toda tecnologia nova, teve grandes detratores e foi muito difícil de aceitar no início, mas deu às pessoas inférteis a oportunidade de escolher o que consideravam melhor para si. E apesar do estigmatizante que poderia supor, a maioria dos pacientes passou a escolher naturalmente o tratamento, como é hoje em dia. Aqueles que estão em desacordo com os avanços da medicina reprodutiva não são obrigados a usá-los.


Naquela época, tratavamos pacientes / casais com condições médicas. Em seguida, os usuários das técnicas foram estendidos a pessoas com problemas sociais (mulheres e homens sem parceiros, casais homoafetivos, pessoas fora da idade natural reprodutiva, mulheres tentando evitar o declínio de sua fertilidade, pessoas desejando selecionar o sexo de seu futuro filho, mulheres que não podem ou não desejam gestar, etc.). Muitos desses tratamentos geram, em várias partes da sociedade, críticas importantes aos novos formatos familiares e complica, ainda mais, emocionalmente, sua escolha.
O uso da tecnologia disponível deve ser feito com muita responsabilidade, sem minimizar a complexidade das muitas implicações que a permeia. Acreditar que qualquer um, a qualquer momento e de qualquer maneira pode ter uma criança, é não entender que ser pai/mãe é muito mais do que ter um “pequeno” em casa. Eu entendo que é essencial considerar não só as necessidades e desejos dos pacientes, mas também e, conscienciosamente, o bem-estar e o futuro da criança por nascer.)

– És referência profissional, além de pioneira na América Latina nas questões psicoemocionais referentes aos processos de reprodução humana assistida, poderia nos contar o que te fez trilhar por este caminho?

– Sintéticamente, mi propia experiencia emocional frente a los avatares reproductivos que atravesé, y la carencia absoluta de comprensión y apoyo emocional disponible en ese momento. El intento de buscar apoyo psicológico en ese momento, hacen 33 años atrás, sólo me frustraba y me dejaba más sola, con la idea de que era “culpable”, y que el mundo fértil no entendía lo que los infértiles atravesábamos. Así fue que decidí empezar a estudiar y capacitarme en los temas médicos, legales, religiosos, éticos, y a diseñar estrategias psicológicas útiles para afrontar los numerosos duelos y desafíos que la infertilidad presenta a quienes la padecen.

(Em síntese, minha própria experiência emocional frente às vicissitudes reprodutivas que atravessei e a falta absoluta de compreensão e suporte emocional disponível naquele momento. A tentativa de buscar apoio psicológico naquela época, há 33 anos, só me frustrava e me deixava mais sozinha, com a idéia de que eu era “culpada”, e que o mundo fértil não entendia o que as pessoas inférteis passavam. Por isso, decidi começar a estudar e capacitar-me em questões médicas, legais, religiosas e éticas e a projetar estratégias psicológicas úteis para enfrentar as dores, luto e desafios que a infertilidade apresenta aos que sofrem com isso.)

– Quanto tempo trabalhas na formação – ministrando cursos – para profissionais interessados em prosseguir por esta área?

– Fui docente de niños durante muchos años, y soy docente de alma. Ya en la Universidad diseñé unos “programas preventivos para la infertilidad”, y antes de empezar formalmente con los cursos de formación para profesionales, ya daba clases en colegios, post-grados, sociedades científicas, cursos cortos y conferencias en congresos de la especialidad, lo cual aún sigo haciendo. En 1997, comencé a dictar cursos de 3 días en la clínica de fertilidad donde trabajo, y actualmente, de manera totalmente independiente, dicto Cursos Intensivos de Especialización en Psicología de la Infertilidad, de aproximadamente 10 días completos, donde además de lo psicológico puro (aspectos teóricos y prácticos), incorporo a médicos, biólogos, abogados, eticistas, y otros profesionales que considero nos proveen de conocimientos imprescindibles para poder ejercer la práctica correctamente.

(Fui professora de crianças por muitos anos, sou um professora de alma. Já na Universidade, projetei alguns “programas preventivos para a infertilidade”, e antes de começar formalmente com os cursos de formação para profissionais, já dava aulas em escolas, pós-graduações, sociedades científicas, cursos curtos e conferências em congressos da especialidade, o que sigo fazendo. Em 1997, comecei a dar cursos de 3 dias na clínica de fertilidade onde trabalho, e atualmente, de forma completamente independente, dou cursos intensivos de especialização em psicologia da infertilidade, de aproximadamente 10 dias, onde além das questões psicológicas (aspectos teóricos e práticos), eu incorporo questões médicas, biológicas, legais, éticas e outras abordagens profissionais que nos fornecem conhecimentos essenciais para poder exercer a prática corretamente.)

– Poderias nos falar sobre a tua prática clínica nesta área? Atendes em consultório e/ou fazes parte de algum centro de medicina reprodutiva? Suas pesquisas contam com a colaboração de profissionais de outras regiões?

– Mi práctica clínica la ejerzo en una clínica de Reproducción Humana (CEGyR), desde fines de1992, y en mi consultorio privado. En la clínica atiendo a todo tipo de paciente que requiere tratamiento, y uso protocolos y entrevistas diseñadas específicamente para cada tipo de tratamiento. Son muchas las áreas involucradas, tanto puede ser un asesoramiento preventivo a receptores de óvulos donados, como ayudarlos a parar los tratamientos, a tomar decisiones difíciles que surgen constantemente, a facilitarles los duelos reiterados, consultas psico-informativas, consultas sexológicas, entre otros. Además evalúo y preparo a donantes de gametas.

En mi consultorio privado realizo tratamientos psicológicos a parejas que están atravesando la búsqueda del hijo, pérdidas de embarazos, preparándose para usar gametas donadas, decidiendo la vida libre de hijos, tomando la decisión de adoptar, aprendiendo la mejor manera de compartir la información de su origen a su hijo y familia, y todos los temas relacionados a la problemática reproductiva y de pareja en general.

Las investigaciones las realizo sola o en conjunto con otros profesionales, de Argentina y/o de otros países. Se publican en español e inglés.

(Exerço minha prática clínica na Clínica de Reprodução Humana (CEGyR), desde o final de 1992 e no meu consultório particular. Na clínica, atendo todo tipo de paciente que necessita de tratamento e uso protocolos e entrevistas especificamente desenvolvidos para cada tipo de tratamento. Existem muitas áreas envolvidas, tanto pode ser um assessoramento preventivo a receptores de óvulos doados, como oferecer ajuda para parar com os tratamentos, a tomar decisões difíceis que surgem constantemente, a facilitar o enfrentamento de perdas repetidas, consultas psico-informativas, consultas sexológicas, entre outros. Também avalio e preparo os doadores de gametas.

No meu consultório particular, realizo tratamentos psicológicos para casais que estão buscando um filho, perdas gestacionais, preparando-se para usar gametas doados, decidindo a vida sem filhos, tomando a decisão de adotar, aprendendo a melhor maneira de compartilhar a informação da origem para seu filho e família e todas as questões relacionadas aos problemas reprodutivos e aos casais em geral.

Eu realizo pesquisas sozinha ou com outros profissionais, da Argentina e de outros países e são publicadas em espanhol e inglês)

– Muitos são os desafios neste campo, ainda mais se considerarmos a velocidade com que as revoluções tecnocientíficas acontecem; na tua experiência quais as técnicas ofertadas pela medicina que oferecem para a psicologia (e também para os sujeitos que as utilizam) as maiores interrogações e reflexões? Poderias abordar, brevemente, sob o ponto de vista emocional o que pensas sobre os desafios lançados pelas tecnologias que apontaste?

– Particularmente, creo que la subrogación de úteros es la técnica que más dificultades emocionales, además de logísticas, puede traer a los involucrados. Este modo de tener un hijo tiene muchos aspectos complicados y controvertidos durante el proceso de gestación y luego de nacido el niño. Hay aún, poca investigación y seguimiento psicosocial a largo plazo de los hijos, padres, gestantes y sus familias. Sólo a modo de mencionar uno de los puntos polémicos: el avance en el conocimiento de la implicancias epigenéticas, y el efecto de ser gestado por alguien con intereses otros que el deseo de tener a ese bebé. La subrogación en la mayoría de los países es comercial (aunque en Brasil no lo sea) y los counsellors deben trabajar para que la subrogante y su familia no se apeguen ni tomen cariño por ese ser en gestación, para poder luego entregarlo y despegarse de él. ¿De qué manera puede esto ser beneficioso, “epigeneticamente hablando”, para ese bebé?

(Particularmente, acredito que o útero de substituição é a técnica que mais dificuldades emocionais, além da logística, pode trazer para os envolvidos. Esta forma de ter um filho tem muitos aspectos complicados e controversos durante o processo da gestação e após o nascimento da criança. Ainda há pouca pesquisa e acompanhamento psicossocial a longo prazo de crianças, pais, gestantes e suas famílias. Apenas para mencionar um dos pontos controversos: o avanço no conhecimento das implicações epigenéticas e o efeito de ser gestado por alguém com interesses outros que o desejo de ter esse bebê. A sub-rogação na maioria dos países é comercial (embora no Brasil não seja) e os conselheiros devem trabalhar para que o subrogante e sua família não se apeguem nem tomen carinho pela criança gerada, para poder conseguir entrega-la e desapegar após seu nascimento. Como isso, se questiona, de que maneira pode ser  benéfico, “epigenéticamente falando”, para esse bebê?)

– Letícia, sua participação é ativa, e poderíamos dizer em alguns momentos polêmica, em meio ao setor clínico/ médico quando propõe que todo e qualquer ser concebido a partir de gametas doados deve obter informações sobre sua origem genética, como é cada vez que esta discussão se instala?   Como é tratada esta questão na América? Há diferenças significativas em outras partes do mundo?

Existem contestações contrarias ao posicionamento acima apontado, ou seja, há quem refute a proposta de que ocorra a “transparência” da origem aos concebidos por meio de gametas doados? O que pensas sobre isto?

Das pesquisas realizadas especificamente sobre o tema da importância do acesso da criança à verdade de sua origem genética, ou sobre os efeitos da revelação ou não desta, destacarias alguma?

– Siempre sentí que luchar para poder tener hijos era algo de lo cual los padres tenían que sentirse orgullosos, y que a la larga sería beneficioso para aquellos hijos ya que sus padres no claudicaron en su gran deseo de tenerlo con ellos, y que su crianza se llevaría a cabo con el mismo esmero con el que lo buscaron. Desde esta postura, no entiendo por qué no compartir una historia tan bonita de amor con ellos, contarle cómo decidieron formar su familia, aquella la cual ellos eligieron.

También sé que la confianza básica que necesita un ser humano para crecer psicológicamente sano es labor fundamental de los padres. En ese sentido, retener información constitutiva de una parte de la identidad de ese hijo y de esa familia, escondiendo su génisis real, se convierte en algo que de ser develado de manera inesperada y sorpresiva, genera sentimientos muy desagradables en el hijo, entre otros desconfianza y enojo hacia sus padres. La historia lo ha demostrado en donación de semen, en adopción, y en tantas situaciones en las cuales, lo secretos se convierten en letales. Evitar el estigma de la infertilidad, el temor a que la sociedad señale al hijo, temor a que no se quiera al padre infértil y muchas otros argumentos esgrimidos, no justifica el riesgo de perjudicar a su hijo/s y sus descendientes.

Hay mucha investigación al respecto que sostiene lo beneficioso para el bienestar familiar que la información sobre su origen sea compartida con el descendiente y el entorno, de manera natural. Si el uso de la gameta ajena es algo que los padres sienten que tienen que esconder, (y de por vida!), mejor no opten por esta alternativa reproductiva… no es buena para ninguno de sus integrantes.

Otro es el motivo sostenido desde distintos ámbitos médicos. A pesar de haber sido demostrado lo contrario por el neozelandés Ken Daniels – una autoridad indiscutida en el campo psicosocial, con investigaciones en Europa y otros varios países – aún una parte de la comunidad médica sostiene que no habría donantes si su identidad estuviera disponible, y que de éste modo se quedarían sin donantes. Paulatinamente, las legislaciones cambiaron en muchos países y los donantes sólo pueden serlo si están de acuerdo con que el nacido pueda acceder a su identidad si, llegada la mayoría de edad, lo deseara. Entonces los donantes cambiaron, ya no son estudiantes universitarios que sólo lohacen por la paga del semen, sino que ahora son hombres en general mayores y con su propia familia constituida que quieren ayudar. El mundo va hacia la apertura en este campo.

Latinoamérica aún es muy resistente a este cambio, aunque en mi experiencia, de a poco esto va cambiando y, ya menos médicos pueden sostener que no conviene garantizarle al nacido un Derecho Humano tan básico.

 Hoy el agente de cambio no sólo es la comunidad psicológica sino, la de los propios interesados, los nacidos por gametas donadas, que están alzando su voz, explicando sus necesidades reales y han creado numerosas asociaciones a tal fin, que crecen exponencialmente, y dan sosiego a aquellas voces sin voto…

Este es un tema apasionante, sobre lo que hay mucha investigación y publicaciones en todos los continentes, y la cual es imprescindible leer para el asesoramiento a nuestros pacientes.

(Eu sempre senti que lutar para ter filhos era algo com o qual os pais tinham que se orgulhar, e que, a longo prazo, seria benéfico para essas crianças, uma vez que seus pais não desistiram do grande desejo de tê-las e que continuariam com o mesmo cuidado com os filhos que tanto buscaram.  A partir desta posição, não entendo o porquê não compartilhar uma linda história de amor com os filhos, contando-lhes como decidiram formar sua família, aquela que escolheram.

Eu também sei que a confiança básica que necessita um ser humano para crescer psicologicamente saudável é uma tarefa fundamental para os pais. Nesse sentido, a retenção de informações que constituem parte da identidade dessa criança e da família, escondendo sua gênese real, torna-se algo que se revela de forma inesperada e surpreendente, gera sentimentos muito desagradáveis ​​na criança, entre outros desconfiança e raiva em relação aos pais. A história tem demostrado isto na doação de sêmen, na adoção e em muitas situações nas quais os segredos se tornam letais. Evitar o estigma da infertilidade, o medo da sociedade discriminar a criança, o medo de não amar o pai/mãe infértil e muitos outros argumentos, não justifica o risco de prejudicar os filhos e seus descendentes.

Há muita pesquisa que apoia o benéfico para o bem-estar familiar que a informação sobre a origem seja compartilhada com o descendente e o meio ambiente, de forma natural. Se o uso de gameta doado é algo que os pais sentem ter que esconder, (e para a vida!), melhor não optar por esta alternativa reprodutiva … não é bom para ninguém da família.

Outro é o motivo suportado por diferentes campos médicos. Apesar de ser provado pelo neozelandês Ken Daniels – uma autoridade incontestável no campo psicossocial, com pesquisas na Europa e em vários outros países – uma parte da comunidade médica sustenta que não haveria doadores se sua identidade estivesse disponível e que dessa forma eles deixariam de ser doadores. Gradualmente, as legislações mudaram em muitos países e os doadores só podem fazê-lo se concordarem que os nascidos possam acessar sua identidade se, ao atingir a idade adulta, eles o desejarem. Em seguida, os doadores mudaram, já não são estudantes universitários que apenas o fazem pelo pagamento do sêmen, mas agora são geralmente homens mais velhos e com sua própria família constituída que querem ajudar. O mundo está se abrindo neste campo.

A América Latina ainda é muito resistente a essa mudança, embora na minha experiência, aos poucos isso está mudando e poucos médicos podem sustentar que não é aconselhável garantir ao nascido um Direito Humano tão básico.

 Hoje o agente da mudança não é apenas a comunidade psicológica, mas também a dos próprios interessados, os nascidos por gametas doados, que estão levantando a voz, explicando suas necessidades reais e criando inúmeras associações para esse fim, que crescem exponencialmente e dão calma para aquelas vozes sem voto.

Este é um tópico apaixonante, sobre o qual há muita pesquisa e publicações em todos os continentes e que é essencial ler para o aconselhamento aos nossos pacientes.)

– Em seu curso de formação você aborda o vínculo existente entre estresse e (in) fertilidade este tema ainda causa polêmica nos meios acadêmicos e no clinico?

– Es verdad que no existe unanimidad en este tema, pero también es cierto que muchos profesionales desconocen los avances de especialidades como la Psico-neuro- inmuno-endocrinologia que aúna distintas ramas de la salud del humano, todas ellas involucradas en la reproducción humana. Este es otro largo debate, aunque todos sabemos lo deletéreo del distrés en todos los aspectos para la salud del hombre, que el embarazo suele darse, mayoritariamente, en condiciones de salud y de relativa tranquilidad (en cualquier animal), preferentemente.

(É verdade que não há unanimidade sobre esta questão, mas também é verdade que muitos profissionais desconhecem os avanços de especialidades como a Psico-neuro-imuno-endocrinologia que une diferentes ramos da saúde humana, todos eles envolvidos na reprodução humana. Este é outro longo debate, embora todos conheçamos a natureza deletéria do estresse/ansiedade em todos os aspectos para a saúde do homem, que a gravidez só acontece, principalmente, em condições de saúde e de relativa tranquilidade (em qualquer animal), de preferência.)

– Existem alguns temas que causam maior polêmica e preocupação em termos psíquicos / emocionais, quando nos referimos aos avanços das técnicas de reprodução assistida, como exemplo  podemos citar as questões pertinentes ao uso de material criopreservado, você observa haver respeito aos cuidados necessários quanto ao uso destas células germinativas para  tratamento ou simplesmente é levado em conta o registro do desejo em um requerimento legal? Ainda neste campo, o que pensas sobre a concepção pós-mortem?

– Tengo un libro publicado, en base a mi tesis doctoral, especialmente dedicado a las dificultades emocionales que surgen el pacientes que han criopreservado embriones y que diversos motivos, finalmente, no se los transfieren. El destino final de esos embriones no es fácil, ni emocional ni legalmente. El status otorgado a un embrión por cada persona, y legislación de cada estado o país, favorece o dificulta su disposición final.

Respecto a la concepción post-mortem, estoy en desacuerdo.

(Tenho um livro publicado, baseado na minha tese de doutorado, especialmente dedicado às dificuldades emocionais que surgem em pacientes que têm embriões criopreservados e que, por diversos motivos, no final não os transferem. O destino final desses embriões não é fácil, nem emocional nem legalmente. O status concedido a um embrião para cada pessoa e a legislação de cada estado ou país, favorece ou dificulta sua disposição final.

Quanto à concepção pós-mortem, eu discordo.)

– No Brasil, temos realizado em diferentes espaços um esforço para que a dissociação mente/corpo, psicologia/medicina se transforme numa visão integrada de sujeito e que desta forma possamos avançar no fértil terreno da Reprodução Humana, contemplando as diversas áreas do conhecimento para a compreensão dos fenômenos produzidos pelas mesmas. Poderias nos contar um pouco de como vês esta proposta de trabalho multidisciplinar? Pensas que existem avanços nesta relação? E quais são, na tua opinião, os desafios que ainda temos nesta área?

– Siempre digo que las carreras Universitarias de Medicina y Psicología deberían ser una misma, aunque durasen muchos años. No podemos seguir dividiendo al ser humano como si tuviera compartimientos estancos.

En lo personal, trabajo interdisciplinariamente, tanto en la clínica de fertilidad como en lo privado. Y la riqueza de incluir a otros profesionales con saber de otros campos todos atenientes a nuestra especialidad, y las necesidades de los pacientes reproductivos hoy en día, se refleja en el armado con profesionales de otras disciplinas de mis cursos de especialización, proveyendo a los alumnos de una mirada más amplia y abarcativa de la problemática reproductiva, y no sólo de la psicológica.

Pienso que sería muy interesante también, que la comunidad reproductiva médico/biológica compartiera, que lo que buscan los pacientes en sus consultorios, es fundamentalmente, calmar el dolor psíquico que la batalla para tener hijos le trae. No consultan porque les duele el cuerpo, llegan a consulta cuando ya les duele “el alma”.

Y a esas almas las tenemos que cuidar todos los que trabajamos intentando que logren su cometido: “simplemente” tener una familia (sana y feliz)

(Sempre digo que as carreiras universitárias de Medicina e Psicologia deveriam ser uma mesma, mesmo que tenham que durar muitos anos. Não podemos continuar dividindo o ser humano como se tivesse compartimentos estanques.

Pessoalmente, trabalho interdisciplinarmente, tanto na clínica de fertilidade quanto em meu consultório particular. E a riqueza de incluir outros profissionais com conhecimentos de outros campos que atendem à nossa especialidade e às necessidades dos pacientes reprodutores hoje, se reflete na montagem dos meus cursos de especialização com profissionais de outras disciplinas, proporcionando aos alunos uma visão mais ampla e abrangente do problema reprodutivo, e não apenas do psicológico.

Penso que seria muito interessante, também, que a comunidade médica / biológica reprodutiva compartilhasse o que os pacientes buscam em seus consultórios, é fundamentalmente, acalmar a dor psíquica advinda da batalha para ter filhos. Eles não consultam pelas dores do corpo,  chegam à  consulta quando lhes dói “a alma”.

E a essas almas temos que cuidar todos aqueles que trabalham, tentando que alcancem seu objetivo: “simplesmente” ter uma família (saudável e feliz)